quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Sorin, Senhor de Innistrad

Variação de Sorin Markov.

Muitas gerações de vidas mortais se passaram desde a última vez que Sorin Markov voltou ao mundo no qual nasceu. Ele passou séculos confuso perambulando pelo Multiverso, desfrutando de viagens que somente sua longevidade vampírica poderia proporcionar. Mas agora ele retorna para encontrar sua terra natal sendo destruída.

O desaparecimento de Avacyn não só deixou os seres humanos em perigo mortal, como também desfez um equilíbrio cuidadosamente construído entre a humanidade e as criaturas da noite. Sorin nunca esperou por paz e harmonia neste mundo sombrio, mas ele pensou que tinha arranjado uma espécie de justiça eficaz, um conjunto de medidas de segurança projetado para evitar que um lado da balança se incline demasiadamente. No entanto, o vampiro pródigo retorna para testemunhar os descendentes do seu sangue alimentando-se e matando seres humanos à vontade, matilhas de lobisomem predando os sacerdotes e os cátaros cujo poder deveria afastá-los, e ghouls montando um cerco nas paredes de Thraben. Velhas memórias ressurgem e o antigo vampiro desembainha sua espada sob a luz da lua sombria. Tudo isto não era para estar acontecendo. Não outra vez.

Séculos atrás, Innistrad enfrentou uma crise semelhante. Porém, com um único ato de magia, Sorin criou uma salvaguarda, um símbolo mobilizador que luta para manter o equilíbrio entre as forças monstruosas e os seres humanos. Ele assegurou que a maioria dos humanos teriam uma arma contra a maldição dos lobisomens e as assombrações do geists. Sua proteção garantia que os mortos-vivos não sobrecarregariam o mundo com destruição. Alguns diriam que ele traiu sua propria fraternidade vampírica, de modo que nunca conseguissem caçar humanos até sua completa extinção. Por outro lado, ele tembém pretendia garantir que os poderosos demônios também nunca se tornassem soberanos deste mundo.

Este símbolo de proteção que Sorin criou seria uma verdadeira arma contra a ameaça da escuridão eterna. Melhor do que isso, seria uma autoridade suprema que lutaria para auxiliar os humildes e para sustentar a vida em Innistrad. Tal criação fora chamada de Avacyn.

O vampiro Sorin Markov, um aristocrata egoísta que já foi cheio de privilégios como Senhor do Casarão Markov, criou Avacyn, o campeão angelical da humanidade e fonte de poder de proteção divina em Innistrad. Para entender tal ato, temos de aprender sobre um outro membro da família Markov, o avô de Sorin: Edgar Markov.

Milhares de anos atrás, antes de existirem vampiros em Innistrad, Edgar Markov foi um alquimista na terra que se tornaria a província de Stensia. A fome estava varrendo a região e o velho alquimista procurou uma solução que pudesse ajudar. A resposta foi realizar a um ritual de sangue que faria com que algumas das pessoas pudessem adquirir a capacidade de se alimentarem de sangue. Era perigoso, mas proveria sustento para aquela demanda de comida, pois não se tratava de um abate da população em geral e sim de uma redução do número de bocas famintas para alimentar em prol do fim da fome de outras.

Tudo parece bastante simples, mas este conto arrepiante de Edgar Markov tem uma verdade ainda mais obscura por detrás dele. A fome era uma desculpa conveniente para o ritual, pois na verdade o alquimista estava experimentando novas formas de obter a imortalidade para si e para seu neto, Sorin. Um demônio chamado Shilgengar observava a ambição de Edgar e sussurrou segredos que lhe apontaram o caminho o experimento da alimentação de sangue. Shilgengar também ajudou o velho a superar as dúvidas que rondavam sua cabeça a respeito de realizar tal ato aparentemente desumano. Ainda assim, Edgar necessitava de um estímulo para dar início definitivamente ao ritual. E então, veio a Fome.

Não existe nenhuma prova concreta que esta fome que assolou toda a região foi obra de Shilgengar. De qualquer maneira, ela foi avassaladora. Pessoas morriam todos os dias por falta de comida. Definitivamente, foi este o estopim para a gênese dos vampiros neste plano. Ao realizar sua experiência sangüínea, Edgar conseguiu encontrar uma maneira de estender a sua própria vida em troca da alimentação macabra. Assim, nasceriam os vampiros em Innistrad.

Desejando fazer a mesma coisa com seu neto, Edgar untou Sorin com o mesmo sangue vampírico. Porém, durante o processo ritualístico, inesperadamente, Sorin desapareceu. Era a centelha de planinauta, que havia sido sido acendida. Sorin tornara-se um planinauta agora, mas ele também era o neto do progenitor da raça vampírica inteira. Como a linhagem Markov gerou todas as outras linhagens, Edgar continuou a ser o antepassado de prestígio de todos os vampiros e quando retornou para sua casa, Sorin foi aclamado como um verdadeiro rei. Ao longo dos séculos, como os vampiros se propagavam em regiões que antes apenas existiam humanos, o planinauta passou mais e mais tempo longe de sua terra natal, às vezes ficando anos desaparecido. No entanto, os vampiros tornaram-se desdenhoso da raça da qual eles haviam sido gerado e passaram a caçar os humanos mortais com mais ousadia. Sorin desprezava aquele comportamento e, por isso, tornou-se distante de sua própria espécie de vampiro.

Entretanto, Sorin sempre vigiava Innistrad. De sua perspectiva zelosa, ele podia ver as mudanças no mundo. Ele notou que, à medida que os vampiros ganhavam poder, as aldeias humanas estavam diminuindo. Embora ele próprio não fosse mais humano, sua preocupação com os mortais era constante. A imortalidade e o estado de vampiresco criado pelo seu avô tinha trazido para a humanidade de seu mundo uma maldição, pois era evidente que com o tempo a humanidade seriam exterminada pelos bebedores de sangue. Dessa forma, o planinauta decidiu tomar emprestadas antigas crenças sobre a lua e vida após a morte para forjar um guerreiro que conseguisse conter os vampiros e outras forças monstruosas que extinguirão a vida em Innistrad. Ele criou um anjo batizado como Avacyn e encarregou-a de proteger aquele plano, de modo que a fé em torno dela criaria uma verdadeira proteção contra escuridão. Assim, a Igreja de Avacyn cresceu ao redor do poder que Sorin investiu nela.

Na verdade, a fé de Sorin era uma série de encantamentos e mágicas criados para proteger os humanos do plano. E seu trabalho teve sucesso. Ele deu aos humanos a vantagem necessária para darem a volta por cima e repovoarem o mundo. E por séculos a religião se desenvolveu e deu frutos, tornando-se mais profunda e complexa do que Sorin imaginara originalmente.

Ele sabia que não poderia permanecer em Innistrad para manter os encantamentos que a abrangiam. Assim, instituiu uma forma de "renovação" da magia em sua ausência. Sorin formulou um sistema de proteções e mágicas que, quando conjuradas repetidamente, fortaleciam a magia protetora geral da fé. Para encorajar os humanos a evocar as proteções e manter a força dos encantamentos, ele fez de Avacyn o foco da adoração e incorporou crenças a respeito da lua e da vida após a morte, já prevalentes no mundo.

É comum que Sorin suma de Innistrad por meses, até anos, de tempos em tempos. Os outros vampiros presumiram que ele fosse um eremita, um príncipe excêntrico e antissocial. No entanto, sem que seus semelhantes soubessem, ele estava viajando pelo Multiverso em busca de uma solução para a grave situação de seu plano natal. Após anos de pesquisa, Sorin retornou com um plano revolucionário, um plano que lhe faria um pária para os próprios vampiros salvos por ele, pois alguns dos vampiros compreenderam o ponto de vista de Sorin ao criar Avacyn, mas a maioria o apontou como um traidor. Edgar ainda vive na Mansão Markov e é um destes que discordaram de Sorin, inclusive a presença de seu neto não é bem-vinda naquela residência. Talvez esse seja um dos principais motivos que contribuíram para que o planinauta vampiro decidisse percorrer o Multiverso e não voltar tão cedo.

Entretanto, depois de longa ausência Sorin, é o desaparecimento de seu guardião angelical que o atraiu para casa novamente. Apesar de ter sido expulso da Mansão Markov, Sorin ainda carrega o título de "Lord" sempre que ele regressa para Innistrad. Estes dias, poucos reconhecem o seu direito, sobretudo por ele ser um Lord ausente, um outrora promissor aristocrata vampírico que passou para a memória de seus compatriotas como alguém cuja natureza de planinauta tornou-se mais importante do que seus deveres relacionados aos seus domínios.

Com exceção do dragão ancião Nicol Bolas, o vampiro Sorin Markov é um dos mais velhos de todos os planinautas. Seus múltiplos milênios lhe trouxeram desapego e muita confiança. Ao contrário de Bolas, Sorin não se interessa por ter mais poder ou controle. Ele se contenta em seguir seus caprichos, mesmo quando esses são cruéis ou mortais. Tendo visto centenas de planos ao longo de milhares de anos, ele se tornou uma espécie de bon vivant, sempre em busca de novidades e diversão. Mas apesar de sua natureza fundamentalmente hedonista, Sorin ainda tem preocupações mais constantes, e durante a sua longa vida essa tendência teve como resultado uma agenda secreta de compromissos e investidas em planos remotos. Como resultado, Sorin é um homem ocupado, viajando pelos planos com frequência com propósitos que somente ele conhece. Sorin parece ter sempre negócios a resolver em outro lugar.

Apesar do vampiro ancestral ter passado boa parte dos últimos milênios explorando o Multiverso, ele ainda se sente conectado à Innistrad. Não é exatamente a responsabilidade. Não é exatamente um senso de comunidade. Esses termos tendem a se tornar sem sentido a uma criatura milenar capaz de viajar à vontade entre os Planos de Existência. Mas quando ele vê o que Innistrad se tornou sem a presença de Avacyn, um sentimento que nasce no Sorin é semelhante a lamentação, que carrega junto uma semelhança familiar a algo que poderíamos chamar de dever. Este conflito interno gerou um sentimento de obrigação e é por isso que ele volta mais uma vez para visitar o mundo onde nasceu.

Sorin ainda é um vampiro e ainda seria considerado como um monstro para qualquer ser humano Innistrad. Ele ainda persegue seus próprios objetivos sem um cuidado para que as instituições efêmeras de qualquer mundo ou da sociedade. Quando ele está em sua terra, ele sente o peso da dor e do derramamento de sangue causado pela sua família, mas ele continua defendendo sua decisão de ajudar a humanidade. Sorin não tem medo de pegar em armas. Aliás, suas armas nesta batalha são aquelas que lhe agraciam desde milhares de anos atrás: uma aura de autoridade e posição, que ele usa para reunir vassalos e inspirar servidão; carisma irresistível, que ele usa para reforçar aqueles sob sua influência; e, o que é talvez sua arma mais potente, a capacidade de gerar novos servos vampiros, que muitas vezes é método preferido Sorin de lidar com seus inimigos.

3 comentários:

  1. Hahahah, demais... Sorin é fodão.

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  2. Apesar de não gostar muito das cartas pretas, Sorin é meu planinauta preferido - seu enredo é muito bom, suas habilidades são poderosas e interessantes e ele é muito, muito gato! *¬*

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  3. Maneiro cara.
    Continue publicando.
    Vlw.

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